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Ibope afirma que 21% dos jovens brasileiros nunca foram ao oftalmologista

Pesquisa do Ibope Inteligência feita com 2,7 mil internautas de sete Estados traz um dado preocupante: um a cada cinco jovens brasileiros de 18 a 24 anos relatou nunca ter ido ao oftalmologista (21%). Diante desse levantamento, fica evidente a negligência das pessoas com a saúde dos olhos, o que pode agravar problemas evitáveis, como o glaucoma, e levar a diagnósticos irreversíveis. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que 80% dos casos de cegueira no mundo poderiam ser impedidos se houvesse acompanhamento médico constante, detecção precoce de doenças oculares e tratamento adequado.

O perigo relacionado à falta de consultas oftalmológicas, alerta, inclusive, para o risco do aumento da incidência de glaucoma, em um futuro não muito distante. A doença é a segunda causa de cegueira no mundo, conforme a OMS, ficando atrás apenas da catarata. Contudo, representa um desafio maior para a saúde pública do que a catarata, porque a cegueira causada pelo glaucoma é irreversível.

Os sintomas do glaucoma podem variar conforme o tipo: o de ângulo aberto, frequente em 80% dos casos, é causado por uma lenta e progressiva obstrução dos canais de drenagem do olho, o que provoca o aumento da pressão intraocular. Na fase intermediária da doença, o paciente perde a visão na periferia do olho, ou seja, nos cantos, e no grau mais avançado passa a não enxergar mais no campo visual da frente. Na fase final, a cegueira é completa. Também chamado de primário ou crônico, precisa ser diagnosticado o quanto antes para que não avance.

O mais alarmante é que inicialmente o glaucoma não apresenta sintomas, porém a compressão do nervo óptico faz com que a perda de visão seja progressiva até o ponto de se tornar irreversível se não for tratado.

A forma secundária da enfermidade, por sua vez, pode ser causada pelo uso de medicamentos, além de outras doenças oculares sistêmicas e traumas ou lesões nos olhos. Ela também pode ser desencadeada em casos avançados de catarata e diabetes.

Um cenário menos comum é o glaucoma de ângulo fechado. Nele, a pressão intraocular aumenta abruptamente quando a saída do humor aquoso (líquido incolor, composto por 98% de água e 2% de sais dissolvidos, responsável por nutrir a córnea e o cristalino e regular a pressão interna do olho) é bloqueada de maneira repentina. Essa situação causa sintomas imediatos e exige cuidados emergenciais.

Existe ainda a possibilidade – embora rara – de a doença aparecer de maneira congênita, quando há o aumento da pressão intraocular na formação do feto. Nesses casos o problema deve ser identificado o mais cedo possível. Além disso, a criança tende a lacrimejar mais do que o normal, ter fotossensibilidade e globo ocular aumentado.

Visitas regulares ao oftalmologista são fundamentais

Pelo fato de o tipo mais comum de glaucoma (o de ângulo aberto) não apresentar sinais, ele só é percebido quando ocorre um comprometimento grande e irreversível dos olhos. Logo, o tratamento pode fazer com que a doença seja controlada e avance mais lentamente, porém não há cura. Na grande maioria dos casos, são usados diferentes tipos de colírios. Em algumas situações há o uso de cirurgias e laser, ou até mesmo uma combinação de procedimentos. A cirurgia normalmente não é a primeira opção, porém pode ser indicada em inúmeras situações como resposta inadequada às medicações e tipos específicos de glaucoma.

Entre os fatores de risco para a doença, estão, além do aumento da pressão intraocular, idade avançada, histórico familiar, uso de corticoides e outras doenças oculares prévias.

Como a enfermidade é silenciosa, deixo aqui o recado sobre a importância das consultas médicas frequentes para acompanhar sua saúde ocular. Não existe uma prevenção para o glaucoma, entretanto o diagnóstico precoce é fundamental para evitar que o paciente perca a visão de forma irreversível. Por isso, o ideal é visitar regularmente um médico oftalmologista a fim de realizar exames periódicos e, com isso, garantir que, ao menor sinal da doença, seja ofertado o tratamento adequado imediatamente.

                                                                                                                                                        Thiago Barroso – oftalmologista